sexta-feira, 19 de março de 2010
Primeiro crepúsculo.
Acabou um amor doentio.
Acabou uma dor esmagadora.
Acabou um falso sorriso.
Acabou minhas mascaras.
Tudo se foi
Como se nunca houvesse existido
Apenas acabou.
Não deixei meu coração.
Não deixei minhas emoções.
Não deixei meus sentimentos.
Ficou apenas um antigo pensamento.
Abandonei velhos hábitos,
E aderi novos.
Deixei-me apenas viver.
Mas e mais fácil falar em viver
Quando não mais se vive.
Mas e mais mais fácil falar da dor
Quando não mais se sente.
Nunca fiz algo grandioso
Apenas fui um ser temeroso
Sempre muito precavido.
Morri sem nunca ter
Ao menos vivido.
Vivo á morte.
Deixo o calor da noite me levar.
Numa imensa cripta gelada
Onde descanso minha carne
Enquando minha alma vaga ao luar.
Observo um ser a chorar.
Uma imensa alegria passa por mim.
Mas é possível ter alegria estando morta?
Mas logo a mesma se vai pois o choro não é para mim.
Quem choraria por mim?
Se nada fiz de bom.
continuo a vagar.
E então antes do primeiro Crepúsculo da manhã
Volto-me para minha mais nova casa.
Vejo então alguém, não chorando, apenas olhando.
Ele não rir , não chora.
Apenas tem consigo um buquê de rosas vermelhas.
Coloca sobre um pedestal frente minha morada
E se vai.
Pela primeira vez eu quis
Viver novamente.
Para poder tocar aquele ser.
Para poder disser que eu o amei.
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